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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Itatiaia - Contagem culpa Justiça, Copasa e moradores pelos esgotos jogados na Pampulha




A Prefeitura de Contagem, cidade de Região Metropolitana de Belo Horizonte, se exime da culpa por parte da poluição da Lagoa da Pampulha, um dos cartões postais da capital mineira. Nessa quarta-feira, o Jornal da Itatiaia mostrou que uma batalha judicial impede a conclusão da limpeza da lagoa e que parte do esgoto de Contagem ainda é jogada em rios e córregos que deságuam na Pampulha.

O secretário de meio ambiente do município, Ivair Soalheiro, esclareceu que os processos de desapropriações que correm na Justiça de Contagem não são da prefeitura. “O problema das desapropriações é estritamente da Copasa”, garantiu.

Além disso, Soalheiro informa que as obras de esgoto das regiões dos bairros Nacional e Ressaca estão mais de 90% concluídas. É o esgoto dessas duas regiões que é jogada na Lagoa da Pampulha. “Agora a população tem que fazer a sua parte, que é fazer as ligações (domiciliar)”, acrescentou. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Itatiaia - Batalha judicial trava limpeza da Lagoa da Pampulha, maior cartão postal de Belo Horizonte




Uma enorme batalha judicial está impedindo a limpeza do maior cartão postal de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha. Enquanto a prefeitura da capital retira cerca de dez toneladas de lixo por dia da represa, redes de esgoto de Contagem ainda desaguam na lagoa. 

A Copasa não pode concluir a implantação dos interceptores de esgoto por causa de nove processos relativos à desapropriação de algumas áreas que tramitam na Justiça de Contagem. Diante disso, o árduo trabalho para limpar a Pampulha acaba indo por água abaixo. 

Segundo o coordenador do projeto estratégico Meta 2014, Valter Vilela, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais aguarda uma autorização judicial para seguir com os trabalhos.  “Nós só vamos poder concluir (as obras) depois que a Justiça de Contagem nos der essa permissão. Enquanto isso, estamos com as obras praticamente paradas, aguardando decisão judicial, que no caso do Brasil geralmente é muito morosa”, disse.

Ainda de acordo com o Valter Vilela, as obras já poderiam ter sido finalizadas há mais de sete meses. “Nossa meta, pactuada com a Prefeitura de Belo Horizonte, com a Prefeitura de Contagem e com o próprio governo do estado, era concluir 100% das obras até dezembro de 2013. Com isso, a gente contribuiria sensivelmente para tirar praticamente todo o esgoto que cai dentro da lagoa”, contou.  


terça-feira, 16 de abril de 2013

EM - Lagoa da Pampulha vai parar de receber esgoto até o fim de 2013, diz Copasa



Companhia vai realizar um canal e as residências serão ligadas a ele por uma rede coletora. Moradores terão de pagar para terem o sistema conectado


A luta da Prefeitura de Belo Horizonte para despoluir a Lagoa da Pampulha continua. Nesta terça-feira, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) apresentou ao prefeito Marcio Lacerda (PSB) como está o andamento das obras de saneamento na capital. Durante o encontro, o presidente da companhia, Ricardo Augusto Simões Campos, garantiu que até dezembro deste ano a lagoa vai deixar de receber o esgoto.

A primeira etapa das obras de despoluição estava prevista para ser finalizada em junho deste ano. Porém, sofreu um atraso devido à remoção de 300 famílias em Contagem, na Grande BH. Nesta fase é realizado pela Copasa o tratamento e bloqueio do esgoto que é lançado aos oito cursos d'água que abastecem a lagoa.

Hoje, 30% do esgoto jogado na lagoa é de Belo Horizonte e 70% de Contagem. As obras são feitas para conter e tratar a água. Um canal será feito pela Copasa e os moradores terão de pagar uma taxa para a residência ser conectada a ele. Essas ligações são chamadas de redes coletoras.

Ao todo, são aproximadamente três mil imóveis que ainda não fizeram a ligação. A maioria das casas ainda utiliza a fossa séptica. “O sistema de rede coletora individual cabe à pessoa colocar. Será uma iniciativa de cada pessoa. Existem ações tanto da Copasa tanto da Prefeitura para ajudar os moradores da baixa renda da região”, explica Ricardo Augusto.

O prefeito Marcio Lacerda acredita que os prazos serão cumprido. “A meta é que a região tenha 100% do esgoto tratado. Estão sendo investidos R$ 30 milhões para a construção das rede coletoras”, afirmou.

Poluição está cada vez pior

Um laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), divulgado pelo Estado de Minas, constatou que os índices de poluição na Lagoa da Pampulha são os piores desde 2006. No entanto, mesmo com a perspectiva ruim, a administração municipal reiterou o compromisso em despoluir a lagoa para 2014.

terça-feira, 2 de abril de 2013

EM - Gerais - Por causa da poluição, qualidade da água da Pampulha nunca foi tão ruim



Indicadores de poluição medidos pelo IGAM são os mais negativos da história e põem em xeque limpeza do cartão-postal de BH até a Copa 2014

Mateus Parreiras


Pneu, garrafa PET e embalagem de detergente; cabo de vassoura, pé de chinelo e sacola plástica; pedaço de isopor, animal morto e restos de poda. Poderia ser a descrição de um lixão, mas é o que se pode avistar no que ainda é conhecido como espelho d’água da Lagoa da Pampulha. E o que se vê boiando pode não ser o pior: apresentando contaminação por esgoto doméstico em todos os 26 trechos monitorados da bacia, a água de um dos principais símbolos de Belo Horizonte jamais esteve em condições tão ruins em relação aos índices de poluentes, segundo o mais recente laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), referente ao terceiro trimestre de 2012. A soma dos conceitos ruim e muito ruim do Índice de Qualidade de Água (IQA) chega a 84,6% das amostras analisadas.

A medição supera em 9,7 pontos percentuais a média dos níveis ruim e muito ruim dos seis anos de medição (74,9%), e em 1,3 ponto a pior marca da história, de 83,3%, atingida em 2011. A degradação que se alastra é ingrediente a mais na corrida contra o tempo para despoluir a represa até a Copa de 2014. A Copasa concluiu apenas 40% da canalização de esgotos que caem diretamente na bacia. A Prefeitura de Belo Horizonte promete editais para combater o assoreamento e a poluição para os próximos dias.

Enquanto as intervenções não fazem efeito, o laudo do Igam apresenta também o pior nível de contaminação por tóxicos como amônia, arsênio, bário e cádmio, compostos que fazem mal à saúde humana e envenenam organismos aquáticos. O nível mais crítico de contaminação, que leva em conta violações acima de 100% do tolerado pela legislação do Conselho Nacional de Meio Ambiente, abrange 69,2% da bacia. “É um dado muito preocupante, porque significa que as pessoas continuarão expostas a esse tipo de poluição mesmo depois das ações previstas para melhorar a qualidade da lagoa, pois metais pesados e outros tóxicos se depositam nos sedimentos profundos”, explica o coordenador do Laboratório de Gestão de Reservatórios (LGAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo Motta Pinto Coelho.

Pela primeira vez o estudo comprovou a existência de cinco espécies de cianobactérias potencialmente tóxicas na lagoa, principalmente no Ribeirão Pampulha, que recebe a água que escoa do reservatório e a lança no Ribeirão do Onça. De acordo com o biólogo Rafael Resck, mestre em ecologia aquática e consultor em recuperação de ecossistemas, o contato direto da pele com as cianobactérias pode provocar irritação, erupções, inchaço dos lábios, irritação dos olhos e ouvidos, dor de garganta, inflamações no rosto e até asma. “Beber água contaminada pode causar náuseas, vômitos, dores abdominais, complicações no fígado e fraqueza muscular, podendo levar inclusive à morte, se houver concentração elevada de cianotoxinas.” O Igam informou por meio de nota que ainda avalia a toxicidade das cianobactérias encontradas.

A apenas 435 dias da abertura da Copa do Mundo de 2014, especialistas desconfiam da possibilidade de que as obras de despoluição fiquem prontas a tempo. O coordenador do LGAR, Ricardo Coelho, considera modesto o índice de 40% das obras de interceptação de esgotos nos córregos de BH e Contagem, para evitar o despejo clandestino de dejetos na bacia. “O prazo é muito apertado. E, enquanto isso, a qualidade das águas vai só piorando.”

De acordo com a Copasa, as interceptações serão concluídas até dezembro, levando 95% do esgoto da Lagoa da Pampulha para tratamento. Além dos recursos do estado, o governo federal, via PAC II, destinou R$ 102 milhões para a implantação de redes interceptoras e estações elevatórias. A PBH informou que negocia com o Banco do Brasil financiamento de R$ 120 milhões para ações de limpeza. O processo licitatório para o desassoreamento terá propostas abertas na quinta-feira. A previsão é de que a intervenção propriamente dita se inicie em julho e termine em maio de 2014. O tratamento da água da lagoa terá edital lançado em maio e início dos trabalhos em agosto.

quarta-feira, 20 de agosto de 2003

DOM - BH - Deliberação nº 086/2003 - aprovação do tombamento provisório do Conjunto Urbano Lagoa da Pampulha e Adjacências / Edificações de uso coletivo e seus bens integrados

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2003
Ano IX - Edição N.: 1935
Poder Executivo
Secretaria Municipal da Coordenação de Política Urbana e Ambiental - CDPCM


DELIBERAÇÃO N.º 086/2003

O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte / CDPCM-BH, nos termos do disposto na Seção II, do Capítulo III, do Título VIII da Constituição Federal; na Seção IV, do Capítulo I, do Título IV da Constituição do Estado de Minas Gerais e no Capítulo VI, do Título VI da Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte, em conformidade com o Decreto-lei n.º 25, de 30 de novembro de 1937, o Decreto Legislativo n.º 74, de 30 de junho de 1977, o Decreto Federal 80.978, de 12 de dezembro de 1977, a Lei Municipal n.º 3.802, de 06 de julho de 1984 e o Decreto Municipal n.º 5.531, de 17 de dezembro de 1986, reunido em sessão ordinária realizada em 12 de agosto de 2003, deliberou aprovar o tombamento provisório do Conjunto Urbano Lagoa da Pampulha e Adjacências / Edificações de uso coletivo e seus bens integrados, por se tratar de conjunto de relevante valor histórico e cultural, protegendo o espelho d'água e a orla da lagoa, bem como os bens culturais (ANEXO I), conforme inventariado no dossiê elaborado pela Gerência de Patrimônio Histórico Urbano / Secretaria Municipal de Regulação Urbana - Processo Administrativo n.º 01.118070.99.04.

Todos os imóveis - edificações de uso coletivo e seus bens integrados relacionados no Anexo I - pertencem ao Conjunto Urbano Lagoa da Pampulha e Adjacências e ficam sujeitos às diretrizes especiais de proteção da memória e do patrimônio cultural de Belo Horizonte, conforme o referido dossiê.

Saibam os interessados, especialmente o(s) proprietário(s) dos referidos imóveis, que os bens culturais, a serem inscritos no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo Arqueológico Etnográfico e Paisagístico, não poderão, em caso algum, ser destruídos ou mutilados, nem, sem prévia autorização do CDPCM-BH, serem reparados, pintados, ou restaurados, bem como não se poderá, no perímetro tombado na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, devendo, ainda, ser submetida à apreciação do referido Conselho toda e qualquer intervenção no bem cultural protegido.

É concedido ao(s) proprietário(s) o prazo de 15 (quinze) dias para anuir o ato ou apresentar, se quiser(em), impugnação ao tombamento, o que for a bem do seu direito, a ser encaminhada à Presidente do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, na sede da Secretaria Municipal de Cultura, situada na Rua Sapucaí, 571 - Floresta - CEP 30.150-050.

Esclarecemos, ainda, que os documentos que integram os autos do Processo Administrativo nº.:01.118070.99.04 encontram-se na Gerência de Patrimônio Histórico Urbano / Secretaria Municipal de Regulação Urbana, situada na Rua Professor Estevão Pinto, 601 - Serra - CEP 30.220-060, à disposição para consulta interna, durante o prazo de impugnação. A ausência de impugnação, contudo não representará obstrução ao pleno andamento do procedimento de tombamento.

Publique-se no prazo de 08 (oito) dias.

Belo Horizonte, 13 de agosto de 2003

Maria Celina Pinto Albano
Presidente

ANEXO I

- Igreja de São Francisco de Assis - Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima, s/n.º e seus bens integrados: pinturas em azulejo de Cândido Portinari, painéis de bronze de Alfredo Ceschiatti,, pintura alta-mór de Cândido Portinari, 12 quadros representativos da Via Sacra a óleo sobre têmpera de Cândido Portinari, mosaicos de Paulo Werneck;

- O  antigo Cassino - Museu de Arte da Pampulha - Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima, nº.: 16.585;

- Casa do Baile - Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima, nº.:751 ;

- A Casa JK - Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima, nº.: 4.188 e seus bens integrados: mobiliário e mosaico de Paulo Werneck;

- Iate Tênis  Clube - Avenida Doutor Otacílio Negrão de Lima, n.º 1.350 e seus bens integrados: painel a têmpera de Cândido Portinari e painel a têmpera de Roberto Burle Marx;

- Pampulha Iate Clube - Rua Ilha Grande, n.º 555; e seus bens integrados: painel a têmpera de Cândido Portinari e mural de azulejos de Cândido Portinari;

- Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais / UFMG - Avenida Presidente Antônio Carlos, n.º 6627;

- Estádio Governador Magalhães Pinto / Mineirão - Avenida Antônio Abraão Caram, n.º 1001;

- Estádio Jornalista Felipe Drummond  / Mineirinho - Avenida Antônio Abraão Caram, n.º 1000;

- Sede da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte  - Av. Dr. Otacílio Negrão de Lima, 8000.
 

sábado, 17 de setembro de 1977

Silvio Delmar Holenbach (1943-1977)


Sílvio Delmar Holenbach foi um militar da Intendência do Exército Brasileiro, nascido no dia 31 de dezembro de 1943, em Cerro Largo/RS. Aos 19 anos de idade (15 de maio de 1962) ingressou na carreira militar, tendo sido promovido a cabo no ano seguinte; em 29 de novembro de 1965, à 3º sargento; e em abril de 1970, à 2º sargento. Servia no Hospital das Forças Armadas, em Brasília/DF.

A Tragédia
Segundo reportagem de Ayrton Centeno, publicada na Revista Manchete de 17/09/1977, no dia 27 de agosto de 1977 (sábado),  um grupo de adolescentes visitavam o viveiro das ariranhas, pois gostavam de ver os animais pescarem e sairem da água para se espreguiçarem na terra, imitando miados de gato. O grupo iniciou uma brincadeira perigosa, tendo Adilson Florêncio da Costa, de 13 de idade, resolvido ser o primeiro a atravessar a grade que dividia o viveiro ao meio, se equilibrando acrobaticamente e se exibindo para os que ali estavam; os colegas, então, começaram a balançar a grade, tendo Adilson perdido o equilíbrio e caído dentro do fosso. Imediatamente, uma ariranha o abocanhou e derrubou dentro d'agua; outros cinco animais se precipitaram sobre o menino, atacando-o furiosamente. As pessoas que estavam à beira do fosso começaram a gritar em pânico, pedindo socorro.

O Sargento Silvio Delmar Holenbach, que estava passeando de carro pelo zoológico, para comemorar sua aprovação no vestibular de Agronomia da Universidade de Brasília, e já deixava o local em companhia de sua mulher e dos quatro filhos menores, atraído pelos gritos da pequena multidão, parou perto do viveiro, quebrou um galho de árvore e entrou no fosso, enfrentando os animais, que largaram o menino.

Holenbach pegou Adilson, machucado, e se posicionou na ilhazinha do fosso. Conseguiu entregar a vítima nos braços de populares que ficaram na amurada de proteção. Ao tentar saltar da ilha, para se pendurar na grade, uma ariranha segurou-o com uma dentada na perna, trazendo-o de volta para dentro d'agua. O sargento lutou mais de cinco minutos com os bichos - que imaginavam defender seus filhotes de uma intrusão humana - sem que ninguem que a tudo aquilo assistia, lhe prestasse socorro.

Quando o técnico agrícola Joel da Mota Oliveira, que estava de plantão e respondia pela direção do zoo de Brasilia, chegou para afastar os animais, Holenbach já havia recebido mais de cem mordidas nas pernas, nos braços e no rosto. Joel lançou um sarrafo, onde o sargento pode se segurar e sair do fosso, mas já havia perdido tanto sangue que estava praticamente agonizante. Ainda teve forças para perguntar se o menino estava salvo, dar o endereço do Hospital das Forças Armadas e manifestar profunda decepção: "Não posso compreender como tanta gente ficou assistindo à minha luta desesperada sem prestar socorro".


No Hospital das Forças Armadas, o sargento Holenbach foi atendido pelo médico José Carlos Daher, então chefe do serviço de cirurgia plástica do HFA, e submetido a uma terapia intensiva à base de antibióticos, mas não resistiu, morrendo no dia 30 de agosto de 1977 (terça-feira), aos 33 anos de idade, com o corpo corroído por uma infecção generalizada, como herói por ato de bravura em tempo de paz.

Logo após o fato, a viúva do sargento, Eni Terezinha Martins Holenbach, então com 33 anos, voltou para o sul com os quatro filhos: Silvio Junior (6), Paulo Henrique (5), Barbara Cristine (3) e Debora Cristina (1).

Homenagens Póstumas
Dezessete anos após ser inaugurada, Brasília teve seu primeiro grande herói: a bravura do Sargento Silvio Delmar Holenbach comoveu a cidade e o mundo.

O então Secretário de Imprensa da Presidência da República, Coronel Toledo Camargo, disse: "Estamos todos profundamente emocionados com o heroismo do sargento Silvio. Sinto-me na obrigação de fazer este elogio para enaltecer um gesto de bravura tão raro em nossos dias." O diretor de promoções do Exército, General Murilo Rodrigues de Souza, levou seu pesar e sua solidariedade à família do militar. O presidente Ernesto Geisel enviou mensagem de pêsames à viúva, exaltando "o ato de abnegação e sacrifício do marido". O General Sylvio Frota prometeu conferir ao sargento, a título póstumo, a Medalha do Pacificador, distinção reservada a militares e civis que praticaram ato de bravura em benefício de terceiros com risco da própria vida. Jimmy Carter, então presidente dos Estados Unidos, enviou telegrama de pêsames à família.

A viúva Eni Teresinha disse que seu marido sempre fora um homem de extraordinária coragem física, disposto à abnegação e à solidariedade. Em Cerro Largo/RS, na região das Missões, onde nasceu, ele saltara no Rio Ijuí para salvar um jovem que se afogava, e em Porto Alegre/RS, enfrentara dois assaltantes armados, conseguindo prender um deles.

O corpo de Holenbach foi velado por oficiais e sargentos de sua unidade, e trasladado para Porto Alegre, onde foi recebido pelo General Luiz Gonzaga Pereira da Cunha, então Comandante da 6ª Divisão de Exército, e sepultado com honras militares.

Em 6 de setembro de 1977, atraves da Portaria Ministerial nº 1.413, foi concedida Post Mortem, a Medalha do Pacificador com Palma ao 2° Sargento Holenbach, como homenagem especial por haver se distinguido no cumprimento do dever, praticando atos pessoais de abnegação e bravura, em consequência dos quais veio a falecer.

O presidente Ernesto Geisel, por meio da Lei nº 6.455, de 24 de outubro de 1977, autorizou a promoção do então 2° Sargento Sílvio Delmar Holenbach ao posto de 2° Tenente, pelo princípio de bravura, a contar da data de seu falecimento. Atraves da Lei nº 6.499, de 7 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto nº 81.569, de 18 de abril de 1978, foi assegurada a gratuidade de ensino nos níveis de 1º e 2º graus, e superior, aos filhos de Holenbach.

No auditório do Hospital das Forças Armadas em Brasília, há uma homenagem ao Sargento Silvio Holenbach. Em Cerro Largo/RS, seu nome foi dado a uma escola estadual de ensino fundamental e médio, localizada no bairro Brasília.

No dia 22 de novembro de 1977, foi publicada a lei nº 2.821, que dá o nome de Sargento Sílvio Holenbach ao Jardim Zoológico de Belo Horizonte.

Em 15 de novembro de 1981, Mário Andreazza, então Ministro do Interior do Governo João Figueiredo, inaugurou o Conjunto Habitacional Silvio Holenbach, com 416 unidades, na Vila Nova Restinga, em Porto Alegre/RS.

Apesar da Fundação Polo Ecológico de Brasilia não fazer qualquer referência a respeito, através da lei nº 1009, de 11 de janeiro de 1996, o nome do zoológico foi alterado para "Jardim Zoológico de Brasília Sargento Silvio Delmar Holenbach", determinando a inauguração de um busto do Sargento Holenbach, na parte interior do zoo, em sua entrada principal, devendo constar uma placa em bronze com os seguintes dizeres: “Em 27 de agosto de 1977, o Sargento Sílvio Delmar Holenbach, do Exército Brasileiro, morreu ao salvar a vida do menino Adilson Florêncio da Costa neste Jardim Zoológico, no fosso das ariranhas”.


Os seguintes logradouros levam seu nome:

PE/Recife
Imbiribeira
Rua Sargento Sílvio Delmar Hollembach 
PR/Cascavel
Região do Lago 
Travessa Sargento Holembach 
RJ/Belford Roxo
São Vicente 
Rua Sargento Delmar Holembach 
RJ/Campos dos Goytacazes
Parque Calabouço 
Rua Sargento Sílvio Holembach 
RJ/Rio de Janeiro
Barros Filho 
Rua Sargento Sílvio Hollemback 
RS/Bagé
Floresta
Rua Sargento Sílvio Hollemback 
RS/Porto Alegre
Rubem Berta 
Rua Sargento Sílvio Delmar Hollenbach 
RS/Santo Ângelo
Vera Cruz 
Rua Sargento Sílvio Delmar Holembach 
SC/Blumenau
Água Verde 
Rua Tenente Sílvio Delmar Hollenbach 
SP/Caçapava
Vila Nossa Senhora das Graças 
Rua Tenente Sílvio Delmar Holembach 
SP/Campinas
Jardim Novo Campos Elíseos 
Rua Sargento Sílvio Hollembach 
SP/Ribeirão Preto
Nova Ribeirânia 
Rua Sargento Sílvio Delmar Hollenbach 
SP/São Paulo
Jardim das Palmas 
Rua Sílvio Delmar Hollenbach 

A história de Silvio Holenbach ficou também registrada no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Em poucas linhas, tanto o juiz quanto o promotor que atuaram no processo, destacaram o heroísmo de Holenbach.

O inquérito que apurou as causas da tragédias tramitou por 10 anos. A polícia ouviu funcionários do zoológico, e o pai de Adilson Florêncio da Costa, o menino que o sargento Holenbach salvou da morte. Em duas oportunidades, a polícia requisitou que os pais levassem o garoto para ser ouvido. Nas duas, a família pediu para o delegado dispensá-lo do depoimento pois estava muito traumatizado.

Em 1989, o promotor de Justiça Carlos Gomes pediu o arquivamento do caso. "Cuida o presente inquérito da elucidação da morte heróica do sargento Silvio Delmar Holenbach" (...) "Concluído o inquérito verifica-se a não ocorrência de circunstâncias dolosa ou culposa por parte de terceiros."

O desembargador Otávio Augusto Barbosa, então juiz da 4ª Vara Criminal de Brasília, sentenciou o caso. "A morte do sargento Silvio Delmar Holenbach, decorrente de um ato de bravura e heroísmo foi lamentada por toda Brasília. Arquive-se os autos."

Após a Tragédia
A família Holenbach nunca assimilou a perda, mas foi em frente, inspirada na própria bravura do sargento. Todos os filhos se projetaram.

Silvio Delmar Holenbach Junior e Paulo Henrique Holenbach concluíram os ensinos fundamental e médio (1º e 2º graus) no ano de 1987, no Colégio Militar de Porto Alegre.

Silvio Holenbach Junior concluiu, em dezembro de 1997, o curso de medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Uma coincidência e uma deferência trouxeram Silvio Junior de volta a Brasília. “Meu irmão estava no quartel e encontrou o General de Brigada Médico Paulo Augusto Menezes da Silva. Ao ver o sobrenome dele, o general perguntou: ‘Você é filho do sargento Holenbach?’ Ele respondeu que sim e contou sobre minha formação. Logo, o general informou que viria dirigir o HFA no ano seguinte e que me queria na equipe”, conta o médico. Vinte anos depois da tragédia, Silvio voltava ao Hospital das Forças Armadas.

Sílvio Holenbach Junior acredita que o pai sempre velou e intercedeu pelos filhos, e coincidências embalam a crença nessa intercessão. Uma das mais comoventes: um dos médicos que atendeu o sargento mutilado, José Carlos Daher, convidou Sílvio Júnior, no ano de 2009, para ser diretor do Hospital Daher. Detalhe: os dois não se conheciam antes da nomeação.

Paulo Henrique Holenbach é analista de sistemas no Banco Regional de Brasília. As irmãs Bárbara Cristine Holenbach e Débora Cristina Holenbach Grivot se graduaram em ciências jurídicas e sociais; Bárbara é servidora do Ministério Público de Porto Alegre; Debora é doutora e mestre, e dá aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Silêncio de Adilson
Só quem silenciou foi Adilson Florêncio da Costa, o menino que Holenbach salvou das ariranhas. Vizinho de Sílvio Júnior em Brasília, trabalha no Postalis, o Instituto de Seguridade Social dos Correios. Procurado, ele mandou dizer via secretária que não fala sobre o assunto. Nunca falou. Nem mesmo um obrigado.

Crônica

HERÓI. MORTO. NÓS.
[Crônica publicada no Jornal Folha de São Paulo em 1º de setembro de 1977]

Lourenço Diaféria

"Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso:
o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais."

Lourenço Diaféria foi preso pelo regime militar devido ao conteúdo da crônica, considerada ofensiva às Forças Armadas. 


Referências
- Folha de São Paulo - Crônica Heroi. Morto. Nós.
- Zero Hora - Familia de Heroi aguarda um obrigado há 33 anos
- Correio Brasiliense - Meu Pai é um Heroi